IMA e ICA na prática: o que a leitura conjunta revela (Parte 2)

Uma média alta descreve um bom passado. Não garante um bom presente.

Por Esthevan Gasparoto 4 min de leitura
IMA e ICA na prática: o que a leitura conjunta revela (Parte 2)

Na Parte 1 desta série, vimos que o IMA resume a produtividade acumulada desde o plantio, enquanto o ICA mostra o ritmo de crescimento recente. Vimos também que o ICA começa a cair antes que a média dê sinal, e que o cruzamento das duas curvas marca a rotação biológica.

Agora a pergunta é prática: o que muda na gestão quando os dois indicadores são lidos juntos?

O que a leitura conjunta revela na prática

Comparação entre talhões. Um talhão de 4 anos e outro de 7, ambos com IMA de 35 m³/ha/ano, não estão na mesma situação. O mais jovem provavelmente ainda está com a média subindo; o mais velho pode já estar na fase descendente. Comparar IMA só faz sentido entre idades próximas ou olhando a posição de cada talhão na curva.

Resposta a tratamentos. Adubação, controle de matocompetição ou irrigação afetam o crescimento corrente. No IMA, esse efeito chega diluído por todos os anos anteriores e parece menor e mais tardio do que foi. O ICA mostra quando a resposta começou e quanto durou.

Efeito do clima. Um ano de seca pode derrubar o ICA daquele período e quase não mexer no IMA. Para o planejamento de suprimento, isso importa: o estoque a ser colhido daqui a dois anos depende do ritmo atual, não da média passada.

Diferença entre materiais genéticos. Dois clones podem ter IMA parecido na mesma idade e trajetórias opostas: um que arranca cedo e desacelera, outro mais lento e mais sustentado. Essa diferença aparece no formato da curva de ICA.

Os cuidados que o ICA exige

Por ser uma diferença entre duas estimativas de volume, o ICA é mais sensível do que o IMA. Três cuidados evitam leituras erradas:

• Erro de medição amplificado. Uma pequena inconsistência entre campanhas pode aparecer como grande variação de incremento.

• Mudança de método. Se a equação de volume, o critério de inclusão ou as parcelas mudaram, parte do "incremento" pode ser só efeito do processamento. Parcelas permanentes e bases processadas com o mesmo método são a forma mais segura de medir crescimento.

• Mortalidade embutida. Uma queda de ICA pode vir de menor crescimento das árvores vivas, de mais árvores mortas ou de ambos, e cada causa pede uma ação diferente.

Por que nenhum dos dois decide sozinho a idade de corte

O cruzamento das curvas indica o máximo de volume por ano, não o máximo de valor para o negócio. A decisão real também depende de:

• Custo do tempo: com taxa de desconto positiva, a idade econômica tende a ficar antes do máximo IMA quando o preço por m³ não muda com a idade.

• Sortimento: quando árvores maiores alcançam produtos mais valiosos, a idade econômica pode ficar depois do máximo IMA do volume total.

• Risco: cada ano a mais expõe a floresta a incêndio, vento, seca, pragas e mortalidade.

• Abastecimento: a melhor idade de um talhão isolado pode não ser a melhor para o fluxo de madeira da base inteira.

IMA e ICA são insumos da decisão, não a decisão. Eles garantem que análises como VPL, TIR e VET partam de premissas de crescimento realistas.

Do indicador à decisão

Ler IMA e ICA juntos exige histórico confiável, método consistente entre campanhas e uma referência do que era esperado para cada talhão. É aí que a Treevia atua:

• O SmartForest mantém cadastro, histórico e processamento de inventário rastreáveis, para que mudança de método não seja confundida com mudança da floresta.

• A prognose mostra a curva esperada de cada talhão, permitindo comparar o ICA observado com o previsto.

• Os dendrômetros IoT acompanham o crescimento entre campanhas, aproximando o "velocímetro" da floresta do momento da decisão.

• O BPO Florestal garante a continuidade das remedições e a consistência das bases ao longo dos anos.

A média conta onde a floresta chegou. O incremento mostra para onde ela vai.

Quando IMA e ICA são lidos juntos, a pergunta deixa de ser "quanto este talhão produz" e passa a ser "em que fase da curva ele está, e o que isso significa para a decisão".

Nos seus relatórios de produtividade, o crescimento corrente aparece ao lado da média?

Leia também no blog da Treevia:

• IMA e ICA contam histórias diferentes sobre a mesma floresta (Parte 1)

• Quanto custa descobrir dois anos depois que sua floresta produziu menos que o esperado?

• Da muda ao pré-corte: quando o monitoramento contínuo com sensores IoT faz sentido?

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