Paraná florestal e os caminhos para uma cadeia mais competitiva
Com mais de 1 milhão de hectares de florestas plantadas, forte presença do pinus e uma indústria diversificada, o Paraná mostra como produção, mercado e informação precisam caminhar juntos.
Em setembro, a Treevia esteve no Paraná para participar da Lignum Latin America 2026, realizada entre os dias 15 e 17, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Em sua sexta edição, a feira completou dez anos e reuniu 172 expositores e 12.197 visitantes, segundo a organização.
Para nós, foi uma oportunidade de encontrar clientes, conversar com parceiros e identificar novas possibilidades de negócio. O contato com diferentes empresas e profissionais também reforçou a importância de olhar para o estado além dos números de área plantada.
O Paraná reúne uma base florestal expressiva, diferentes mercados para a madeira e uma cadeia industrial que conecta o campo ao processamento e à exportação. Essa combinação ajuda a explicar sua relevância para a silvicultura brasileira e os desafios envolvidos em manter sua competitividade.
Uma base florestal marcada pela presença do pinus
Segundo o Estudo Setorial APRE 2024, o Paraná possui aproximadamente 1,17 milhão de hectares de florestas plantadas. Desse total, cerca de 710,8 mil hectares são de pinus, equivalentes a 61% da área plantada, e 438,7 mil hectares são de eucalipto.
A presença do pinus é um dos principais diferenciais da estrutura florestal paranaense. Sua matéria-prima abastece segmentos como madeira serrada, compensados, molduras e portas, enquanto a base florestal também atende à produção de papel, celulose, painéis e biomassa.
Essa diversidade amplia as possibilidades de aproveitamento da madeira e torna o planejamento mais complexo. Uma mesma floresta pode fornecer matéria-prima para aplicações com exigências diferentes de diâmetro, qualidade e dimensões.
Por isso, conhecer apenas o volume total disponível não é suficiente para compreender o potencial econômico de um povoamento.
Uma atividade que movimenta bilhões e alcança quase todo o estado
Os indicadores econômicos ajudam a dimensionar essa cadeia. Segundo os dados da Pesquisa da Extração Vegetal e da Silvicultura do IBGE, divulgados pelo Governo do Paraná, o valor da produção florestal estadual chegou a aproximadamente R$ 6,9 bilhões em 2024, crescimento de 20,7% em relação a 2023.
Esse total reúne silvicultura e extração vegetal. A silvicultura, isoladamente, respondeu por cerca de R$ 6,34 bilhões, com alta de aproximadamente 24,1% no período. A produção florestal foi registrada em 391 dos 399 municípios paranaenses. Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná
A abrangência territorial mostra que a atividade movimenta muito mais do que as áreas de plantio. Seus efeitos se distribuem pela colheita, pelo transporte, pela manutenção de máquinas, pelos serviços especializados e pelo processamento industrial.
Ao mesmo tempo, essa rede depende de decisões conectadas. A disponibilidade de madeira no campo influencia o abastecimento das fábricas, o cumprimento de contratos e o planejamento de investimentos.
Uma indústria diversificada diante das mudanças do mercado
A força do Paraná também aparece em sua participação nas exportações brasileiras. Dados do Estudo Setorial APRE 2024, apresentados durante a programação da Semana Internacional da Madeira, apontam que o estado responde por aproximadamente 69,5% das exportações nacionais de molduras, 67,9% das de compensado de pinus e 30,6% das de portas de madeira.
Essa presença internacional amplia oportunidades, mas também exige capacidade de adaptação. Mudanças na demanda, nas condições de acesso aos mercados e nos custos de comercialização podem alterar a atratividade de diferentes produtos.
Na Lignum e nos eventos da Semana Internacional da Madeira, temas como barreiras tarifárias, logística, produtividade, custos e certificações estiveram entre os assuntos discutidos pelo setor.
Na nossa leitura, esse cenário reforça a importância de diversificar mercados, agregar valor à madeira e melhorar a previsibilidade das operações. A competitividade passa tanto pela capacidade industrial quanto pelo conhecimento sobre a matéria-prima que estará disponível nos próximos anos.
Floresta e indústria precisam compartilhar o mesmo planejamento
Quando a madeira atende a diferentes mercados, variáveis como diâmetro, qualidade, sortimento, localização e momento de colheita ganham peso nas decisões.
Uma estimativa de volume total pode ser útil para dimensionar o estoque, mas não responde, sozinha, a perguntas fundamentais: quanto desse volume atende às especificações de uma serraria? Quais talhões poderão fornecer os sortimentos desejados? Como essa disponibilidade muda ao longo do ciclo?
Inventário florestal, prognose e acompanhamento do crescimento ajudam a construir essas respostas. Quando seus resultados entram no planejamento comercial e industrial, a informação florestal passa a orientar decisões sobre abastecimento, colheita e destinação da madeira.
Isso exige dados consistentes, histórico organizado e clareza sobre as premissas utilizadas nas estimativas. A qualidade da decisão depende também da qualidade da informação que a sustenta.
Previsibilidade começa com o acompanhamento da floresta
Em operações de grande escala, pequenas diferenças entre o crescimento esperado e o realizado podem se acumular ao longo do ciclo e alterar o volume disponível na colheita.
Identificar uma mudança durante o desenvolvimento do povoamento oferece mais tempo para avaliar suas causas e revisar o planejamento. Quando ela aparece apenas no momento da colheita, as possibilidades de resposta são mais limitadas.
Por isso, acompanhar a floresta envolve mais do que atualizar um número de estoque. É necessário entender como os talhões estão evoluindo, comparar medições ao longo do tempo e avaliar o que os resultados representam para a produção futura.
A** floresta continua crescendo entre um inventário e outro. O planejamento precisa considerar essa evolução.**
O monitoramento contínuo pode complementar as campanhas de inventário, acrescentando observações entre as medições de campo. Para transformar essas observações em informação útil, é preciso integrá-las ao cadastro, ao histórico e aos métodos de análise da operação.
Onde a tecnologia da Treevia se conecta a esse desafio
Na Treevia, essa conexão acontece pela integração entre gestão de dados florestais, inventário, prognose e monitoramento com sensores.
O SmartForest organiza informações da operação e apoia o planejamento, a coleta, o processamento e a análise dos dados. Integrados à plataforma, os dendrômetros acrescentam medições contínuas da variação diamétrica das árvores monitoradas, complementando o histórico obtido nas campanhas de campo.
Essas medições precisam ser interpretadas com critérios técnicos. A variação observada em uma árvore monitorada, por exemplo, não representa automaticamente a mudança de volume de todo o talhão. Sua aplicação depende do desenho do monitoramento, da representatividade das árvores e dos modelos utilizados.
Com essa integração, buscamos aproximar o que acontece no campo das informações utilizadas na gestão. O objetivo é dar às equipes melhores condições para acompanhar o desempenho da floresta, avaliar desvios e atualizar suas análises ao longo do ciclo.
O que nossa passagem pelo Paraná reforçou
A participação na Lignum Latin America mostrou uma cadeia que reúne experiência, capacidade industrial e disposição para discutir seus próximos passos.
Os números ajudam a explicar a relevância do Paraná. As conversas com empresas e profissionais mostram como essa relevância se traduz em decisões diárias sobre matéria-prima, produtividade, custos e mercados.
Para nós, uma das principais conexões entre esses temas está na previsibilidade. Quanto mais diversificada a cadeia, maior a importância de compreender o estoque, os sortimentos e a evolução da floresta.
Em uma cadeia que transforma madeira em diferentes produtos e oportunidades, conhecer melhor a floresta também é uma forma de fortalecer a competitividade.
É nesse trabalho que a Treevia atua: conectando dados de campo à gestão para apoiar decisões ao longo de todo o ciclo florestal.